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2020, essa sou eu tentando

por Yasmin Wilke

Entre desabafos com os amigos, sessões de terapia e monólogos acelerados dignos de uma Gilmore que só Rodrigo estava lá pra presenciar, tenho repensado minha relação com a internet e de como sentia saudades de falar! sobre! sentimentos! em algum lugar menos autodepreciativo que o Twitter e mais escangalhado que o Instagram.

Ouvi que 2020 era o ano do podcast na mesma medida que li que este era o ano dos blogs. Ou seja, muito. Mas talvez seja menos sobre a plataforma que a gente adota e mais sobre ressignificar conexões e reencontrar sua voz nesse mundaréu. Me mantendo fiel à caricatura de mim mesma que sou, não poderia me contentar com um nem outro: cá estou voltando com o blog e com um projeto de possível-provável-futuro podcast (ainda sem nome, porque a editoria da vida é abraçar o caos).

Vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda. 2020 é o ano em que tá todo mundo tentando um bocado de coisas, inclusive não se sentir sozinho. Na maior parte das vezes, mais parece que tudo é um grande borrão disforme e está sendo bem difícil viver (pandemia! crise política! sistema neoliberalista! sensação de colapso da civilização! aquecimento global! a lista continua!).

A lista de coisas boas de 2020 da Mika foi um lembrete da promessa de que não iria apenas esperar o tempo passar “até as coisas melhorarem” e sim viver cada dia da melhor maneira possível, sem romantizar demais nem tampouco me alienar completamente. Talvez esse mantra já estivesse cozinhando dentro de mim bem antes. Em janeiro, antes mesmo da Taylor jogar Folklore pro mundo, a minha playlist desse ano (maravilhosa, modéstia à parte) já se chamava “I’m trying my best”.

Reuni em detalhes desnecessários as pequenas grandes coisas que deram sentido quando mais nada parecia fazer sentido:

  • As sobrinhas do Rodrigo nasceram saudáveis e estão bem! São as coisas mais bochechudas e sonolentas.
  • Nossa estadia no Brasil (que era para ser de fevereiro a abril) foi prolongada graças ao caos generalizado e voos cancelados, mas proporcionou mais tempo com a família.
  • Viajamos pra João Pessoa (para visitar meu pai e ver a Letícia), pra Salvador (vivenciar o Carnaval baiano ao lado da família do Rodrigo), gravitamos entre São Paulo (minha família) e Sorocaba (família do Rodrigo). Ufa, e no meio disso ainda rolou um refúgio de quase um mês na chácara com a avó do Rodrigo, longe do coronga.
  • Comemorei meu aniversário cercada de pessoas queridas. Até então, tinha uma relação esquisita com aniversários, mas essa última comemoração me fez mudar de opinião. Quis o destino que fosse a última festa de muita gente ali antes do início da quarentena, e fico feliz com a lembrança dos momentos compartilhados ao lado de cada um. Nayara, sensata que é, falou sobre como esses rituais servem pra gente guardar memórias e como é isso que nos leva adiante.
  • Vou montar um coven grupo de estudos de tarot com amigas bruxinhas-místicas. ?
  • Voltei a fazer terapia e está sendo um processo bem importante, não só as pelas sessões semanais mas principalmente pela possibilidade de viver a terapia no meu dia a dia e sentir os efeitos positivos dessa jornada.
  • Comprei meu Nintendo Switch, edição especial de Animal Crossing New Horizons. Nada como suspender a realidade numa ilha idílica idílica, vivendo de colher frutas e conchas, criando laços com animais falantes.
  • Taylor Swift lançou Folklore e nunca antes meu gosto musical (músicas-tristes-com-letras-que-sangram-meu-coração-cantadas-por-garotas-lindas) foi tão contemplado.
  • Continuo meu processo de reeducação alimentar e de fazer as pazes com minha autoimagem. Graças a isso, perdi uns muitos quilos que não vem ao caso, o que importa é está sendo um processo consciente e
  • Virei fã de BTS e além da dose diária de serotonina que proporcionam, estou vivendo a experiência de passar pelo meu primeiro comeback! Não tem mais volta, eu até cometi a loucura de comprar o álbum na pré-venda. Pobre Rodrigo não me aguenta mais ouvir falar de BTS e ouvir BTS pela casa 24/7 nesse 2º lockdown francês.
  • Estou me dedicando a criar um portfólio até o fim desse ano e, pela primeira vez na minha vida profissional, motivada a realizar sonhos. Nunca me considerei ambiciosa, então isso é meio grandioso?
  • Voltei a escrever num pseudo-diário.
  • Voltei a ter vontade de escrever, num geral. Para mim mesma e para o mundo.
  • Tive várias mudanças capilares divertidas!
  • Sigo respeitando meus processos e tempo, diminuindo meu consumo de proteína animal. Não quero me considerar vegetariana, porque não me privo de comer o que tiver vontade, mas podemos dizer que 90% da minha alimentação já está livre de carne.
  • Voltei a estudar sobre assuntos que me interessam de forma quase consistente.

Olhando tudo juntinho não é que tem várias coisas boas? Como a Mika concluiu, também não quero sair de 2020 com a sensação de que foi um ano perdido. Tem muitas coisas acontecendo do lado de fora, mas graças às mudanças do lado de dentro a bagagem não é tão pesada.

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11 comentários

Claudia Hi 13 de novembro de 2020 - 10:14

Urru! Como é bom te ver por aqui Yasmin! Eu adorava as postagens que você escrevia no Indiretas do Bem. Sempre me identifiquei com a sua escrita e o que você estava passando. Aparentemente isso não mudou muito rs

Eu sinto que Folklore é o tipo de música que eu gostaria de ter escrito rs

Ouvi algumas músicas do BTS e também gostei. Não sou super fã, mas eles realmente passam uma “good vibes” que o mundo todo anda precisando!

Fora isso (pra exemplificar o quanto me identifico contigo) também escrevo (pra minha saúde mental), também faço terapia e tam´bem não me considero vegetariana, mas quase não como carne. Só o cabelo nos difere haha Desculpe se escrevi muito, mas acho tão legal encontrar pessoas que tem gostos parecidos que os nossos…

Bom final de semana ?

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Yasmin Wilke 13 de novembro de 2020 - 11:56

Ai, quanto carinho! ?? É tão gostoso compartilhar as coisas que estão na cabeça e sentir que elas ressoam em pessoas queridas e que a gente vai construindo uma troca

Nossa, quando eu ouvi Folklore pela primeira vez pensei “É isto, minha vida e meu gosto musical fecharam um ciclo completo: Taylor Swift cantando indie triste, tuuuuudo pra mim!!!”. Sabe que eu tava desde 2018 ouvindo umas coisas de k-pop e até curtindo uma música ou outra, mas precisou chegar 2020 e desestabilizar todas as emoções. Agora eu dou play em qualquer música do BTS e fico instantaneamente mais feliz? Não só pelas músicas, mas tudo é muito ~wholesome mesmo! Muito necessário nesses tempos esquisitos.

E nunca se desculpe por escrever muito, comentário bom é esse que a gente se sente abraçada pelas palavras e escreve um textão de resposta e quer ficar papeando, só faltava um bolinho de vó e uma xícara de café mesmo! Bom fim de semana para você também, querida

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chêcha 13 de novembro de 2020 - 12:13

enquanto lia sua lista de coisas que valeram a pena eu, instintivamente, fui fazendo a minha na cabeça. pois não é que tive um monte de momentos excelentes também? não tinha feito esse exercício ainda. obrigado por isso 🙂

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Yasmin Wilke 13 de novembro de 2020 - 15:31

Não tem nada que agradecer! Acho que é sempre válido fazer essas reflexões (sem romantizar nem alienar) porque dá uma renovada das energias internas e a gente usa de combustível pra enfrentar esses tempos esquisitos.

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Luana P. 13 de novembro de 2020 - 12:30

Que lindo te ver por aqui novamente. E quantos momentos significativos 2020 te proporcionou apesar dos pesares, obrigada por compartilhar, eu pude ficar contente por extensão.

Eu também tenho repensado quase em um processo de autoanálise sobre os (meus) sentidos de estar e compartilhar na internet, nesse processo abracei a ideia de usar o instagram como meu blog pessoal mesmo — como você comentou, não tem tanto a ver com a plataforma, apesar de eu sentir falta de alguns mecanismos que blogs proporcionam, ainda não foi o suficiente pra voltar pra cá — era algo que eu já fazia de algum modo, apenas assumi e aí, para não me perder no algoritmo com o qual não me importo, tranquei a conta (na minha cabeça: uma conta no ig que é trancada faz com que só esteja lá quem deseja estar? é o meu intuito, ao menos).

p.s.: Mimis, adorei a ideia do grupo de estudos de tarot com amigas bruxinhas-místicas, se tiver espaço, eu gostaria de participar.

Um abraço! E aguardo mais postagens lindas sobre a sua vida e tudo mais.

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Yasmin Wilke 13 de novembro de 2020 - 15:40

Eu amei, amei amei encontrar rostinhos conhecidos de longa data! Obrigada por tirar um tempinho para vir aqui e não ter desistido de acompanhar minhas idas e vindas!

Pois é, acho que quando a gente lista assim acaba percebendo que teve bastante coisa boa mesmo em meio ao caos generalizado! Eu tentei usar o instagram mais como blog pessoal, mas no fim das contas, não me adaptei. No entanto, acho mais do que válido para quem se adapta – o importante é a gente se sentir confortável e ser resistência na internet quando o assunto é conexões genuínas e afeto. O bom do Instagram é que naturalmente cria uma narrativa visual, o que é bem bacana com o passar do tempo, né?

Um beijo!

PS: ainda não tá nada fechado o grupo de estudos hahaha mas quem sabe eu não volto aqui pra dar notícias e a gente trocar conhecimentos e experiências?

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Mika 13 de novembro de 2020 - 13:08

First things first: o Pudim tá a coisinha mais fofa nessa foto ?

AAAAAAA tão bom te ver de volta nesse cantinho!
Acho que são essas pequenas coisas e os gatitos que tão dando força pra gente não surtar completamente, né?

Tô curiosa pra saber mais sobre e ouvir esse podcast. Passei a ouvir muito mais podcasts esse ano e ouvir um teu ou que tu participe seria tão bom pra matar a saudade ?

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Yasmin Wilke 13 de novembro de 2020 - 15:35

AAAAAAA obrigada lindinha! pelo comentário, pela inspiração de ideia de post, pela amizade, hihihi por tudo mesmo. Mais que que nunca, não sei o que seria da minha vida sem esses pequenos grandes tesouros, e incluo aqui a sua existência!

Ai, o podcast vai sair hahahaha Coloquei aqui mesmo assim porque acredito muito na importância de manifestar as palavras, e para além da espiritualidade, também acho que isso cria um compromisso mesmo. Fiquei numas crises de síndrome de impostor (será que eu tenho algo de relevante a dizer sendo uma garota branca, cis, privilegiada? será que eu não falo devagar demais? mas e se formos cancelados???) mas meu parceiro de projeto é o lado mais são dessa equação, então muito provavelmente antes do fim do ano a gente solta algo!

Eu assistia muito vídeos do YouTube quando morava na NZ para criar um ruído branco e me sentir menos sozinha, ano passado passei a ouvir mais podcasts! Espero que o nosso seja legal hihihi

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tabs 13 de novembro de 2020 - 14:00

eu amei!!! sentia falta de ler blogs e agora tô feliz ??? ah e pfvr me chama pra participar do seu coven!!! (sério!)

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Yasmin Wilke 13 de novembro de 2020 - 15:42

AAAAAAAA que lindo ter você aqui acompanhando minha vidinha em mais um lugar internético!
Quando a gente estruturar melhor a ideia eu volto aqui pra gente compartilhar bruxices~

PS: sobre os corações, o wordpress deu uma surtada, desconfigurou TODO e não sei o que está acontecendo? Mas ei de resolver!
Vou personalizar tudo de novo (cores, fontes, cada detalhezinho de novo ugh, que dor de cabeça, e vejo se consigo consertar os corações pra gente seguir compartilhando amor hehehehe)

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tabs 13 de novembro de 2020 - 14:09

tá eu entrei pelo computador e o blog não gosta dos meus emojis e transformou tudo em ?? então: <3 <3 <3

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