A franja e o dilema

Em 13.08.2016   Arquivado em Ensimesmada

Minha vida gira em torno de dois ciclos bem distintos, com um grande dilema entre eles: o que eu tento (em vão) deixar a franja crescer para me livrar da dita cuja, ou aquele em que corto a maldita e tento (em vão) deixá-la controlada. Já perdi a conta de quantos cortes foram, a maioria na pia do banheiro com uma tesoura cega.

Cortei a franja pela primeira vez em 2009, pouco antes de completar 17 anos e foi uma espécie de marco na minha autoestima. O sonho de uma vida inteira de cabelo ondulado, enfim!, realizado. Desde então, muitos cortes de cabelo passaram pela minha cabeça – e até algumas cores. Só o apego pela franja que ficou.

Todo mundo sabe que mudar o cabelo é a forma mais rápida & prática de mudar de vida, curar uma crise existencial ou piorá-la de uma vez. Quando a cabeça sofre, o cabelo é a primeira vítima: existe uma urgência de mudar, fazer algumacoisanãoseioquê para desviar o foco das caraminholas que crescem dentro da gente e apertam o coração.

Pois bem, por isso a franja. Para mim, é sempre uma decisão meio segura, afinal, estamos nessa há sete anos. A cara de criança e as bochechas ainda mais proeminentes sempre voltam, mas também aquela sensação de que ‘é assim que a Yasmin é, ufa’.

Já que (ainda) não posso pintar o cabelo inteiro de azul/roxo/qualquer outra cor não tão convencional, fico aqui, matutando que outra coisa poderia aprontar. Ou seja, voltamos no dilema inicial. Esse chumaço de cabelos na testa chegou a um estado lastimável. Comprida para usar em seu formato original, cobre completamente os olhos e coça minha cara; mas ainda sim curta demais para prender decentemente com grampos.

Corto de novo ou deixo crescer, eis a questão. Sei que cabelo sempre cresce, mas não seria eu se não fosse o dilema da franja.

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