A louca das agendas ataca novamente

Em 15.08.2016   Arquivado em Cheia de Opinião

Alguns anos atrás, Anna Vitória fez um post sobre a teoria – baseada num filme das gêmeas Olsen – de que toda mulher de sucesso tem uma agenda lotada de anotações (aliás, um minuto de silêncio pelo fim do blog dela, que era uma belezinha). Sempre acreditei nesse mito antes mesmo de ler a tal teoria e, quando li o post, me peguei lendo e acenando com a cabeça a cada parágrafo. Não poderia me identificar mais.

Desde que estou no ensino fundamental, sigo comprando agendas todos os anos e prometendo a mim mesma que dessa vez vai ser diferente, vou ser uma pessoa organizada. Típica promessa de ano-novo que, nem fevereiro chega, a gente já encostou. Veja bem, eu sou pragmática. Mas organizada, ah não, isso aí já é demais.

Minhas agendas vivem um ciclo de vida mais ou menos assim: 1) o começo promissor, cheias de anotações, colagens e canetas coloridas; 2) o abandono, vazio completo; 3) eventuais anotações e tentativas de retomadas desleixadas; 4) mais páginas em branco e a aceitação do fracasso; 5) arrependimento eterno de não ter adotado a agenda como parte da minha existência.

O que, obviamente, não me impede de comprar uma nova assim que possível. Geralmente lá pro meio do ano fico matutando sobre a agenda do ano seguinte (claramente já aceitei o fracasso da agenda atual e fico me enganando, dizendo que com a próxima vai dar certo), entrando em sites e morrendo de amores.

Esse ano, decidi fazer diferente e adotei o sistema do bullet journal (link para o post) e, até agora, tem funcionado bem. Acho que a não-obrigatoriedade de manter o caderno atualizado todos os dias (me sinto mal com os espaços em branco mesmo quando não tenho nada pra preencher) ajuda muito. Não sinto remorso em gastar páginas mas, ainda sim, é trabalhoso. Principalmente quando você quer deixar tudo gracinha como as inspirações do Pinterest ao invés de apenas anotar as tarefas do dia.

Às vezes só queria uma página ali, prontinha pra mim, com a data do dia. A possibilidade de estar em abril, abrir a agenda em outubro e anotar um compromisso que vai acontecer. Uma capa coloridinha pra me animar, sei lá. Sou do tipo de pessoa besta que fica feliz com capas de cadernos.

E, assim, mais uma vez, me rendi à busca da agenda para 2017. Pelo menos já passou metade do ano, tá permitido pensar nessas coisas, né? (resposta: não, Yasmin. Ninguém nem tá pensando em 2017 ainda, se aquieta).

Agendas2017_v1

  1. Frankie Diary, $26.95
  2. Kate Spade, $36.00
  3. Ban.do, $20
  4. Paper Source, $26.95
  5. Moleskine Peanuts, $ nem sei
  6. Kikki.K, $44.90 (NZ)

Escolhi só seis modelos que é pra não passar muita vontade, mas tô aqui sem saber qual eu quero.

Minhas favoritas são a da Frankie – tive em 2012 e ela tem capa de tecido, muito amor –, a de gatinhos da Kikki.K – minhas cores favoritas e gatos, como não amar? – e a da Ban.do – tudo se torna ainda mais irresistível quando você clica no link e vê como ela é gracinha por dentro. Às vezes dá vontade até de ter três vidas, pra ter três agendas mas misericórdia, não dou conta nem de uma.

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A franja e o dilema

Em 13.08.2016   Arquivado em Ensimesmada

Minha vida gira em torno de dois ciclos bem distintos, com um grande dilema entre eles: o que eu tento (em vão) deixar a franja crescer para me livrar da dita cuja, ou aquele em que corto a maldita e tento (em vão) deixá-la controlada. Já perdi a conta de quantos cortes foram, a maioria na pia do banheiro com uma tesoura cega.

Cortei a franja pela primeira vez em 2009, pouco antes de completar 17 anos e foi uma espécie de marco na minha autoestima. O sonho de uma vida inteira de cabelo ondulado, enfim!, realizado. Desde então, muitos cortes de cabelo passaram pela minha cabeça – e até algumas cores. Só o apego pela franja que ficou.

Todo mundo sabe que mudar o cabelo é a forma mais rápida & prática de mudar de vida, curar uma crise existencial ou piorá-la de uma vez. Quando a cabeça sofre, o cabelo é a primeira vítima: existe uma urgência de mudar, fazer algumacoisanãoseioquê para desviar o foco das caraminholas que crescem dentro da gente e apertam o coração.

Pois bem, por isso a franja. Para mim, é sempre uma decisão meio segura, afinal, estamos nessa há sete anos. A cara de criança e as bochechas ainda mais proeminentes sempre voltam, mas também aquela sensação de que ‘é assim que a Yasmin é, ufa’.

Já que (ainda) não posso pintar o cabelo inteiro de azul/roxo/qualquer outra cor não tão convencional, fico aqui, matutando que outra coisa poderia aprontar. Ou seja, voltamos no dilema inicial. Esse chumaço de cabelos na testa chegou a um estado lastimável. Comprida para usar em seu formato original, cobre completamente os olhos e coça minha cara; mas ainda sim curta demais para prender decentemente com grampos.

Corto de novo ou deixo crescer, eis a questão. Sei que cabelo sempre cresce, mas não seria eu se não fosse o dilema da franja.

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Diário de Bordo: #1

Em 07.08.2016   Arquivado em Pratododia

Queria eu ter algo um pouco mais emocionante para contar aqui nessa nova seção do blog, mas a verdade é  meus dias se resumem a procurar emprego, ajeitar a casa, ir ao supermercado e fazer várias coisas do tipo. Algumas pessoas me pediram no Snapchat para mostrar um pouco mais sobre Auckland e a minha vida aqui na Nova Zelândia, mas essa história de ainda não ter conseguido um emprego é quase um tapa na cara sem mão.

Faz a gente se sentir pequenininha e incapaz de dar conta da vida mas ai, respira e não começa com drama Yasmin. Ao mesmo tempo, sei que tudo há de se ajeitar e que algumas coisas demoram um pouco mais que outras, paciência.

Apesar de toda essa montanha-russa que é morar fora do seu país de origem, acho que dá para dizer que eu estou bem feliz sim. Sei que às vezes posso parecer muito mais pessimista por aí, o que já é motivo pra minha mãe se desesperar em trocas de mensagens, mas não quero deixar minha família doente de preocupação não. Tem um bocado de coisa maravilhosa e incrível acontecendo na nossa vida, e o medo até se esconde quando paro para pensar.

Túnel de árvores ?

Uma foto publicada por yasmin wilke (@quaseinedita) em

Nesse fim de semana a gente aproveitou para dormir bastante, passear num parque perto de casa, comer hambúrguer e tomar apenas o melhor sorvete que já experimentei na vida. Isso aí, no frio mesmo, que aqui a gente não nega sorvete nem que seja pra voltar pra casa batendo dente depois. Juro que ainda volto lá para experimentar mais sabores e tirar uma foto, perdoa essa pessoa que não tem talento pra instagramer e esquece de registrar os momentos pois se emociona demais com comida.

Pra compensar, tem foto do waffle de quinze dias atrás que repeti essa semana, quando o Rodrigo voltou completamente encharcado do supermercado (já disse que chove o tempo todo aqui?), mas com sorriso imenso no rosto e o waffle de presente pra minha pessoa. Assim, só porque ele é muito amor mesmo.

Muito feliz e iluminada com meu waffle ?

Uma foto publicada por yasmin wilke (@quaseinedita) em

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Lendo: eu tinha esse acordo com o Rodrigo de só trazer um livro para a Nova Zelândia pois, se dependesse de mim, boa parte da minha estante viria junto. O escolhido foi Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez, que releio todos os anos desde que ganhei do meu pai, em 2008. Então cá estou, mais uma vez, entre Aurelianos, José Arcadios e Úrsula. Talvez um dia escreva sobre essa relação que a gente tem, eu, os Buendía e as páginas de todos os anos.

Além disso, baixei o ePub de Harry Potter and The Cursed Child para ler no computador mesmo, já que meu Kobo Glo endoidou de vez e nem viajou através do Oceano Pacífico. Terminei repleta de sentimentos conflitantes e definitivamente, pra mim, o Expresso Hogwarts já partiu. O livro teve momentos ótimos que dão aquela saudadinha de ser criança e finalmente trouxe luz para um dos assuntos que eu mais fiz questão de reforçar em conversas acaloradas ao longo desses anos de fã: sobre a relação do Dumbledore e do Harry (não vou dar spoilers aqui, mas quem quiser pode e deve me chamar pra gente bater um papo siiiiiim~).

Senti que esse foi o maior presente que a J. K. Rowling poderia ter me dado mas, de resto, Ron Weasley define muito bem como me senti lendo a peça:

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Assistindo: Além da maratona para rever Gilmore Girls antes dos episódios especiais, a gente tem costume de ligar o Netflix e deixar alguma coisinha besta passando enquanto conversamos, cozinhamos ou apenas vivemos. Quando dei por mim, já estava na quarta temporada de New Girl (curadoria especial do Luka), série que nunca tinha vencido a 1ª temporada.

Também assisti, como todo mundo, Stranger Things e morri de amores pelas crianças. Não acho que valha muito a pena comentar qualquer coisa aqui pois a internet já fez isso até a exaustão.

Ouvindo: Quase nada além dessa playlist que já falei alguns posts atrás. Chama “Girls Invented Emocore and Punk Pop too”, e é completamente viciante.

A gente também tem ouvido bastante o álbum Expresso 2222, do Gil. Não é só Gilberto que queria voltar “Back in Bahia” não, o Rodrigo também sente bastante saudades da família e a gente ri, enquanto canta junto. Porque rir é melhor do que chorar e a gente também sente que ‘ter ido fosse necessário para voltar’.

Fazendo: Além das coisas óbvias que já falei ali no começo do post, finalmente tô jogando Child Of Light! Sei que o jogo estreou em 2014 e o ano é 2016, mas eu não tinha videogame e, na época, só tinha experimentado o comecinho. Como o Luka tem um PS4, já passei da metade e estou adorando o cenário, trilha sonora e tudo o mais. Volto pra contar melhor quando tiver, de fato, terminado!

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A parte minimamente boa de todas essas crises em relação à busca de empregos por aqui é que tenho refletido muito sobre o que quero fazer da minha vida. Veja bem, não sou uma pessoa muito ambiciosa (nada ambiciosa, pra ser mais exata) e é a primeira vez que me vejo decidindo-escolhendo o que vai ser daqui em diante.

Meio assustador, meio empolgante, totalmente incerto ainda. Faço uma pós e dou uma chance pra carreira acadêmica? Jogo pro alto o diploma de jornalismo e invisto em uma carreira totalmente diferente da minha formação? Vamos pra Europa ou pro Japão depois daqui, ou voltamos pro Brasil? Eita, vamos ver no que vai dar issaê.

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