Longe é um lugar

Primeiras impressões da Nova Zelândia

Oi, esse post veio direto do futuro! :) [Nota irrelevante: nunca vou ter maturidade para lidar com o fato de estar 15h a frente do Brasil no fuso horário e acho farei essa piadinha tosca com mensagens do futuro sempre que tiver oportunidade, desculpa.]

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Faz uma semana que chegamos em Auckland e, desde então, muita coisa aconteceu! Ao mesmo tempo, a sensação é que tudo ainda está indo devagar, como se a vida ainda não tivesse assentado. Chegamos na manhã do dia 23, depois da noite mais longa da minha vida – foram 20h de escuro, lua, estrelas e nuvens, com uma pequena pausa para um alfajor na Argentina – e, até agora, estamos hospedados num quarto em Ponsonby, um bairro ~descolado~ da cidade e cheio de cafés, lojas que me lembram a Vila Madalena e muitas casas bonitinhas.

• É muito muito legal estar em um local com grande influência asiática. Comida japonesa barata (isso é demais!), propagandas de remédio em ideogramas chineses, mercadinhos e incontáveis restaurantes asiáticos convivem ao lado de crianças loirinhas de bochechas rosadas e casas de madeira que parecem ter saído diretamente da Europa.

• O guarda-chuva vira e você é arrastado pelo vento como nos filmes. Claro que isso acontece no Brasil também, mas aqui o inverno é úmido e chove/venta bastante. Quando digo bastante é bastante mesmo, daqueles ventos que de repente mudam o sentido da chuva por instantes suficientes para te molhar por inteiro. O Rodrigo já teve o pé encharcado por uma onda de água que vinha descendo a ladeira e eu já tive o guarda-chuva virado mais vezes em um dia que em toda minha vida até então.

• Prefiro pãozinho francês. Até agora, achamos as padarias daqui bem sem graça, tudo tem cara de meio murcho e sem graça. Pode ser que a gente ainda descubra lugares gostosos, mas nenhum pão fez meu coração bater mais forte ainda (e olha que a gente ama pão).

• Todo mundo acha que o Brasil é violento demais. E, na verdade, é. A gente que se acostuma com as mortes nos jornais, com a truculência e abusos da polícia, os absurdos da desigualdade e outras tantas coisas que não deveríamos nos acostumar. Porém, é surreal a ideia que eles tem de que nosso país as pessoas são baleadas à queima-roupa no meio da rua, assim, enquanto você casualmente caminha pela rua o tempo todo.

• Carpete é quase indispensável na decoração. Todos, todos, todos os apartamentos que visitamos para alugar tinham carpete e muitos estabelecimentos comerciais também. Ou os neozelandeses não tem rinite ou tem gostos duvidosos para decoração (mas o Rodrigo, friorento que é, não desaprovou totalmente a ideia).

• Apesar de chover muito, não tem “recipientes porta guarda-chuva” no comércio. Sempre me vejo olhando como tonta em busca de algum vaso, lata ou qualquer outra coisa própria para guardar o guarda-chuva e não molhar tudo em volta mas, no geral, acabo encostando num cantinho mesmo e ¯\_(?)_/¯

• Falar em inglês é mais difícil do que parece. A ficha de que eu só ia me comunicar em inglês com o meu entorno só caiu quando entramos no voo Buenos Aires – Nova Zelândia e um australiano sentou do nosso lado, puxando assunto e sendo super simpático e eu só fiquei ali, que nem tonta acenando enquanto o Rodrigo socializava. A timidez e a introversão amplificam tudo e, na maior parte dos momentos, me pego paralisada enquanto sei exatamente o que/como falar.

• O coração aperta com mais facilidade. É verdade que tudo tem sido bem tranquilo porque tenho o Rodrigo ao meu lado, com toda aquela sensação de segurança e aconchego que proporcionamos um ao outro. Mas, ainda sim, às vezes dá vontade de dar uma choradinha. Seja pela saudades do Pudim, de pular na cama da minha irmã, dos amigos ou simplesmente com medo do que vai acontecer, “e se as coisas não derem certo?”, “será que a gente tá fazendo a coisa certa?”. O jeito é respirar fundo, pensar no que já deu certo e seguir em frente.

il_fullxfull.825430136_foowAté agora a gente não turistou muito, pois o foco era (ainda é, na verdade) ajustar a vida às engrenagens da cidade e resolver pendências básicas, mas já fizemos um grande avanço nessa primeira semana e quase podemos nos considerar cidadãos: temos números de celular, conta no banco e até cartão de transporte público.

Também não fotografei direito (quase nada, né) porque o clima anda chuvoso demais. A coitada da câmera até sai de casa, mas continua o passeio na mala porque a gente tá sempre indo ao supermercado, indo almoçar ou qualquer coisinha trivial e, no meio disso, ainda chove. Nas poucas vezes que bati umas 3 fotos logo começou a pingar do céu. Pra compensar, tenho feito um caderno de viagem com algumas impressões, bilhetes, desenhinhos e outras coisas como forma de registrar nossa experiência aqui.

Logo menos teremos nosso próprio canto (o apartamento já foi alugado e pegaremos as chaves segunda, dia 04) e a tendência é que tudo continue se ajeitando. Isso foi só um pouco do que já aprendi e vivi por aqui, tem muito mais por vir!

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3 Comments

  • Reply Karin Paredes junho 30, 2016 at 12:21

    Mimis,
    Fiquei tão feliz em saber que vc voltou a escrever por aqui!
    Que notícia muito boa saber que você está realizando um sonho (pausa para dizer que soube pelo facebook que estava de mudança, mas tudo bem).
    Vai ser tão bom conhecer Nova Zelândia através da sua experiência.

    Ouvir você falar sobre a saudade me fez lembrar de quando vim para SP para morar. Essa saudadezinha é mais apertada no início, depois abranda, mas nunca some, viu!
    Sobre o tempo (e os carpetes), não conheço a NZ, mas quando o meu irmão foi pra Inglaterra, ele ficou de boa com o clima frio lá. Não passou mal (ele tem asma) em nenhum momento. O clima úmido é que atrapalha os que sofrem das “ites” (mas acho que esse não é o caso de Auckland)

    Estou na torcida por posts novos e por muitas fotos legais.
    Mil beijos

    • Reply Yasmin junho 30, 2016 at 21:32

      @Karin Paredes, eu também sentia muita falta do bloguinho! Acho que vai ser ótimo documentar minhas experiências por aqui, não só pelo registro pessoal mas pra todo mundo acompanhar também :07: A maior parte das pessoas soube pelo Fb hahahaha porque eu preferi não ficar espalhando antes que tudo estivesse 100% certo, meio que com medo de mau-olhado, sabe?

      Eu também me senti meio assim quando morei em Manaus durante um tempo e, como você disse, acho que é questão de tempo até a gente se habituar pra saudade aquietar (mas continuar ali num cantinho). É, eu tenho rinite e senti que deu uma melhorada, porque o ar aqui é bem limpo (tem bastante líquenes nas árvores!). Meu ponto com carpetes é mais porque acho eles bregas e complicados de limpar direito hahaha

      Beijos :14:

  • Reply Del julho 2, 2016 at 11:36

    Ai que vontade de continuar lendo quando o post chegou ao fim :)
    Às vezes, e ultimamente muitas vezes, tenho vontade do novo; de sair do país, da minha zona de conforto, arriscar, conhecer… Quem sabe, quem sabe?
    Estou na torcida por vocês aí ?
    E já no aguardo de mais posts e fotos :D
    Bjinho

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