A melhor parte de mim

Em 31.07.2016   Arquivado em Ensimesmada

Dia 31 de julho é aniversário da minha irmã Kakau e, pela primeira vez em 20 anos, não estava ao lado dela. Já aconteceu de passarmos aniversários, feriados e outras datas especiais longe dos nossos pais – de um ou do outro, ou até mesmo dos dois, mas eu e a Kakau sempre estivemos juntas. Tem um buraco esquisito no meu peito e um nó na garganta que não saiu o dia inteiro.

kakau01

Tô aqui vendo as mensagens e fotos que as pessoas estão compartilhando nas redes sociais dela e ensaiando uma mensagem de feliz aniversário, mas até colocar em palavras é difícil. Queria estar lá ajudando minha mãe e as amigas a organizar festa surpresa dela, queria pular na cama dela logo cedo pra acordá-la no susto e depois a gente dormir abraçadinhas e espremidas na cama de solteiro (como a gente sempre fez desde que me lembro pro gente), comprar carolinas de doce de leite na padaria do lado de casa (“ah Mi, não acredito que você comprou de chocolate, era só doce de leite!!”), cantar Taylor Swift enquanto ela dirige e sentar no chão do quarto fazendo drama enquanto peço pra ela escolher o que vestiria na festa dela.

Kau, todo dia eu morro um piteco de saudades de você, mas queria que você soubesse que é meu maior orgulho e que merece tudo que há de melhor e mais lindo nessa vida. Sei que estou o mais longe que poderia estar neste momento, mas também espero que você se sinta abraçada nesse momento, porque amor de verdade funciona assim: de perto e de longe, e nosso amor é maior do que qualquer coisa nesse mundo.

Você foi o melhor presente que a vida me deu e tenho muito orgulho da menina forte, carinhosa e incrível que sempre foi, desde que tinha aqueles cachinhos loiros que só eu podia pentear e andava feito um pinguim. Não importa quanto tempo passe, você vai ser sempre a minha irmãzinha e eu nunca vou amar ninguém tanto quanto amo você.

O tempo foi passando desde a época em que usávamos roupas combinando, e muita gente pode nem entender como somos tão próximas sendo tão diferentes, mas a real é que você me completa e veio para me ensinar todos os dias sobre o que é amar e cuidar de alguém, como as coisas podem ser mais leves e como a vida pode ser intensa e divertida – seja brincando de sereias na piscina do prédio ou trocando áudios no celular sobre desabafos da vida.

Meu coração aperta um pouco menos quando penso que você está rodeada de amor aí e que tem um pedacinho meu chamado Pudim pra ronronar e ficar aconchegado com você enquanto você faz mais maratonas de Gossip Girl do que uma pessoa normal pode suportar.

“Te amo” chega a parecer pouco perto do que sinto por você.
Mas nada além disso conseguiria descrever.

Pokémon Go e um questionamento sobre ‘imaturidade’

Em 23.07.2016   Arquivado em O que não cabia

Esses dias estávamos Rodrigo e eu discutindo sobre Pokémon Go, nova febre mundial que vem batendo uns recordes absurdos, como ser mais buscado na internet do que pornografia (vocês tem noção do que isso significa?).com2Fwp-content2Fuploads2F20162F032Fnexus2cee_PokemonGO2-728x573

Na verdade, o Rodrigo não consegue ver muita graça no aplicativo. Logo ele, que foi treinador em todas versões do falecido GameBoy e do Nintendo Ds, que gastou mais dinheiro do que seria prudente admitir com cartas de Pokémon TCG (Trading Card Game: sim, é aquele jogo de cartas, como Magic ou Yu-Gi-Oh!) e até já ganhou campeonato com as mesmas.

Já eu, que só podia jogar Pokémon nos recreios da escola com GameBoy emprestado dos amigos e fui me tornar uma treinadora pela primeira vez apenas em 2012 (quando tinha um salário para comprar meus próprios jogos), fico aqui passando vontade. Meu celular é um Zenfone com processador Intel, e os desenvolvedores do aplicativo não estão nem aí pra mim.

giphy (1)O apelo da nostalgia não funciona muito bem com ele, que consome a franquia regularmente ainda hoje. Pelo contrário: por ter tantas e tantas experiências com Pokémon, acha sem graça andar por aí só jogando pokébolas. Ele quer batalhas, quer algo mais desafiador. Pra completar, o Rodrigo não é nem de longe um millenial (apesar de ter nascido na mesma época que eu) e não vê graça em redes sociais, não anda na rua com olho grudado na tela do celular, nem nada do tipo.

Aí que, de repente, a conversa tomou outro rumo. A gente já não estava mais falando sobre Pokémon Go, realidade aumentada ou aplicativos. O foco era “por que ainda existe essa categorização ridícula de coisas de criança?”. As pessoas deveriam ser livres pra gostar do que quisessem sem que isso fosse considerado infantil. A gente começou a concordar.

A base da Nintendo é o apelo no coraçãozinho dos jogadores, por exemplo. Ou vocês realmente acham que o Nintendo 3Ds XL só existe para ter uma tela maior? Não, amigos. É para um adulto conseguir segurar o portátil de forma adequada. E tá tudo bem com isso. Não tem problema gostar de Mario, Pokémon ou Kirby, mesmo que você não tenha mais 10 anos.

Eu e o Rodrigo também temos essa mania de conversar sobre palavras e o que elas significam. Conversa vai, conversa vem, uma coisa leva a outra e a gente se viu falando sobre o que significa, na verdade, imaturidade. A conclusão, pra gente, é que não faz sentido algum.

Antes de mais nada, a definição uma pessoa imatura é aquela no meio do caminho, que não atingiu o pleno desenvolvimento. Bem, se for isso mesmo, acho que todo mundo é imaturo. Todo mundo está sempre encontrando coisas para melhorar/crescer/mudar. Viver é uma constante transformação – tem coisas que ficam, claro, na mesma proporção que coisas vão e sempre vai ter algo novo para desenvolver.

Segundo que é um bocado prepotente da parte de alguém chamar o outro de imaturo. Vamos combinar, é bem pequeno se basear apenas na sua própria visão de mundo e sair por aí julgando o que é válido ou não. O que pode ser uma atitude imatura para você – os meus muitos vestidos com estampa de bichinho, por exemplo – é, no fim das contas, só uma faceta de personalidade de cada um.

Sem contar que a gente sempre pode substituir a palavra por outra. Fulano não arcou com as responsabilidades de seus atos? Pode chamá-lo de irresponsável, ao invés de imaturo. Soa mais verdadeiro.

belagil_imaturidade

Sorry not sorry pelo meme defasado

Existe uma série de atitudes chatas – vitimismo, irresponsabilidade, etc – mas a gente tem que parar de torná-los sinônimo para a idade de alguém, da mesma forma que precisamos parar de menosprezar ‘coisas de criança’. Me pego rolando os olhos quando vejo alguém diminuindo um desenho, um livro de YA, um filme teen ou qualquer coisa que não seja compatível ao conceito de adultos.

Acho que chamar alguém (ou algo) de imaturo diz mais sobre a pessoa que falou do que sobre o assunto em questão.

Provavelmente estou soando super confusa e sem sentido, mas é algo que tá martelando na minha cabeça desde que a gente conversou e eu adoraria falar mais sobre o assunto porque ajuda a colocar minha cabeça no lugar. Se alguém tiver algo a dizer, já sabe né?  :07:

Primeiras impressões da Nova Zelândia

Em 30.06.2016   Arquivado em Longe é um lugar

Oi, esse post veio direto do futuro! :) [Nota irrelevante: nunca vou ter maturidade para lidar com o fato de estar 15h a frente do Brasil no fuso horário e acho farei essa piadinha tosca com mensagens do futuro sempre que tiver oportunidade, desculpa.]

auckland-city-monochrome-title

Faz uma semana que chegamos em Auckland e, desde então, muita coisa aconteceu! Ao mesmo tempo, a sensação é que tudo ainda está indo devagar, como se a vida ainda não tivesse assentado. Chegamos na manhã do dia 23, depois da noite mais longa da minha vida – foram 20h de escuro, lua, estrelas e nuvens, com uma pequena pausa para um alfajor na Argentina – e, até agora, estamos hospedados num quarto em Ponsonby, um bairro ~descolado~ da cidade e cheio de cafés, lojas que me lembram a Vila Madalena e muitas casas bonitinhas.

• É muito muito legal estar em um local com grande influência asiática. Comida japonesa barata (isso é demais!), propagandas de remédio em ideogramas chineses, mercadinhos e incontáveis restaurantes asiáticos convivem ao lado de crianças loirinhas de bochechas rosadas e casas de madeira que parecem ter saído diretamente da Europa.

• O guarda-chuva vira e você é arrastado pelo vento como nos filmes. Claro que isso acontece no Brasil também, mas aqui o inverno é úmido e chove/venta bastante. Quando digo bastante é bastante mesmo, daqueles ventos que de repente mudam o sentido da chuva por instantes suficientes para te molhar por inteiro. O Rodrigo já teve o pé encharcado por uma onda de água que vinha descendo a ladeira e eu já tive o guarda-chuva virado mais vezes em um dia que em toda minha vida até então.

• Prefiro pãozinho francês. Até agora, achamos as padarias daqui bem sem graça, tudo tem cara de meio murcho e sem graça. Pode ser que a gente ainda descubra lugares gostosos, mas nenhum pão fez meu coração bater mais forte ainda (e olha que a gente ama pão).

• Todo mundo acha que o Brasil é violento demais. E, na verdade, é. A gente que se acostuma com as mortes nos jornais, com a truculência e abusos da polícia, os absurdos da desigualdade e outras tantas coisas que não deveríamos nos acostumar. Porém, é surreal a ideia que eles tem de que nosso país as pessoas são baleadas à queima-roupa no meio da rua, assim, enquanto você casualmente caminha pela rua o tempo todo.

• Carpete é quase indispensável na decoração. Todos, todos, todos os apartamentos que visitamos para alugar tinham carpete e muitos estabelecimentos comerciais também. Ou os neozelandeses não tem rinite ou tem gostos duvidosos para decoração (mas o Rodrigo, friorento que é, não desaprovou totalmente a ideia).

• Apesar de chover muito, não tem “recipientes porta guarda-chuva” no comércio. Sempre me vejo olhando como tonta em busca de algum vaso, lata ou qualquer outra coisa própria para guardar o guarda-chuva e não molhar tudo em volta mas, no geral, acabo encostando num cantinho mesmo e ¯\_(?)_/¯

• Falar em inglês é mais difícil do que parece. A ficha de que eu só ia me comunicar em inglês com o meu entorno só caiu quando entramos no voo Buenos Aires – Nova Zelândia e um australiano sentou do nosso lado, puxando assunto e sendo super simpático e eu só fiquei ali, que nem tonta acenando enquanto o Rodrigo socializava. A timidez e a introversão amplificam tudo e, na maior parte dos momentos, me pego paralisada enquanto sei exatamente o que/como falar.

• O coração aperta com mais facilidade. É verdade que tudo tem sido bem tranquilo porque tenho o Rodrigo ao meu lado, com toda aquela sensação de segurança e aconchego que proporcionamos um ao outro. Mas, ainda sim, às vezes dá vontade de dar uma choradinha. Seja pela saudades do Pudim, de pular na cama da minha irmã, dos amigos ou simplesmente com medo do que vai acontecer, “e se as coisas não derem certo?”, “será que a gente tá fazendo a coisa certa?”. O jeito é respirar fundo, pensar no que já deu certo e seguir em frente.

il_fullxfull.825430136_foowAté agora a gente não turistou muito, pois o foco era (ainda é, na verdade) ajustar a vida às engrenagens da cidade e resolver pendências básicas, mas já fizemos um grande avanço nessa primeira semana e quase podemos nos considerar cidadãos: temos números de celular, conta no banco e até cartão de transporte público.

Também não fotografei direito (quase nada, né) porque o clima anda chuvoso demais. A coitada da câmera até sai de casa, mas continua o passeio na mala porque a gente tá sempre indo ao supermercado, indo almoçar ou qualquer coisinha trivial e, no meio disso, ainda chove. Nas poucas vezes que bati umas 3 fotos logo começou a pingar do céu. Pra compensar, tenho feito um caderno de viagem com algumas impressões, bilhetes, desenhinhos e outras coisas como forma de registrar nossa experiência aqui.

Logo menos teremos nosso próprio canto (o apartamento já foi alugado e pegaremos as chaves segunda, dia 04) e a tendência é que tudo continue se ajeitando. Isso foi só um pouco do que já aprendi e vivi por aqui, tem muito mais por vir!

Página 4 de 71234567