the loneliness inside me is a place

Em 03.08.2016   Arquivado em Ensimesmada

will all my twenties find me so guarded?
littered and documented by meticulous word choice and closed lips
to read like:

all things bear this
a purpose! or romance!

but the truth is much more complicated than that
and i am still trying to learn how time is a gift
(as much as it is a burden)

loneliness

Cada dia tem sido mais fácil que o anterior, mas nem por isso menos pesado. Posso não fazer mais que uma ida ao supermercado para comprar manteiga, mel e azeite, mas ainda sim vou dormir com o corpo cansado ao deitar. A sensação que tenho é que tudo é muito mais intenso por aqui. Não pelo lugar em si, mas pela situação. Outro país, outras pessoas, outros comportamentos, outras dinâmicas.

Longe de tudo aquilo que traz segurança. E a gente se pergunta ‘será mesmo que essa segurança existia? ou será que a gente só se agarra nessa crença agora que está distante?’. A gente se pergunta um monte de coisas, na verdade.

O tempo todo.

A gente se agarra ao Cem Anos de Solidão, o único a me acompanhar nessa loucura, buscando conforto ali nas palavras, como a gente faz todos os anos desde a dedicatória de 2008, quase como uma tradição.

O bichinho da solidão nunca tinha se alojado dessa forma aqui dentro antes, e esse ‘estar longe’ chega a ser uma sensação física ao invés de um sentimento, como disse sabiamente Letícia. Claro que eu já tinha me sentido assim durante esses vinte e quatro anos (mais vezes do que gostaria de admitir). Mas não assim, se é que você me entende.

Pelo menos, dessa vez, dá para dividir o peso. A gente tá aqui, segurando a mão um do outro, nos passeios ao parque e nos tropeços da vida. García Márquez me sussurra “Para mim bastaria estar certo de que você e eu existimos neste momento.” Ele está certo, mais uma vez.

* o título do post é também a música que vem a seguir, que descobri nessa playlist maravilhosa que une tudo que mais gosto – vocal feminino e músicas tristinhas – chamada “Girls Invented Emocore, and the Pop Punk too”. Não nego nem confirmo que só esteja ouvindo isso no repeat.

Turistando: Mount Eden

Em 02.08.2016   Arquivado em Longe é um lugar

A Nova Zelândia é conhecida pelas paisagens de tirar o fôlego que ficam ótimas em fundos de tela e cartões postais, mas Auckland, onde estamos morando, tem clima de cidade grande e não é bem assim. Sem contar que incorporar o turista por aqui não sai barato: para subir na SkyTower – símbolo máximo da cidade –, são 28 dólares. Para entrar no Auckland War Memorial, o museu da cidade, mais 25 dólares.

Enquanto a vida ainda não se ajeita 100% e a gente aperta um pouco o orçamento (o custo de vida, como um todo, é bem alto), o jeito é buscar passeios gratuitos.  Mas, ainda sim, tem boas surpresas por aqui: o Mount Eden é um vulcão adormecido que fica em plena área urbana, sendo utilizado pela população como um parque.

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Também conhecido pelo nome Maungawhau, em maori, é o ponto natural mais alto da cidade (e o maior dos vulcões da região). São 196 metros de altura, com uma vista de 360º das redondezas. Muita gente vai lá por motivos turísticos, mas tem bastante gente que vai correr, andar de bicicleta ou leva animais de estimação.

São vários caminhos até o cume e os carros só vão até certo ponto, mas a subida é bem tranquila e a caminha dura uns 15 minutos até o topo. Lá tem uns banquinhos e um espaço pra observar a região, além de um disco com a distância para outros locais do país e até cidades famosas.

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Eu nunca tinha visto um vulcão de perto e é bem interessante porque parece só um buraco mesmo, totalmente coberto por grama, já que está inativo há tantos anos – são 28 mil anos desde a erupção, segundo a Wikipédia. A cratera em si em cerca de 50 metros, mas seu acesso é limitado por motivos de preservação e solo instável (apesar disso, a gente viu umas criancinhas descendo no maior estilo fuck the rules).

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Além do mais, a vista da cidade é bem bonita. Quando fomos, tinha um senhor explicando para outro onde ficava cada coisa, apontando para a região do aeroporto, a baía da cidade etc. Foi tão interessante que fiquei ouvindo a conversa alheia mesmo, confesso.

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Infelizmente o clima aqui é muito doido e o céu muda a cada três minutos, então tem umas fotos com céu azul e outras totalmente nubladas. Pegamos bastante vento e até chuva por lá, mas meio que a gente já está se conformando com esse clima doido do inverno na ilha.

Além de tirar fotos, aproveitamos para meditar e fazer um pseudo piquenique (que foram só sanduíches e água mesmo), passamos um pouco de frio com o vento e voltamos.

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Na descida a gente encontrou esse doguinho fofo que fez pose para a foto! Muita gente leva os cachorros pra passear no vulcão e esse em especial estava todo saltitante e correndo por aí.

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BEDA #1: O desafio está lançado

Em 01.08.2016   Arquivado em Pratododia

E então, aos quarenta e cinco do segundo tempo, eu resolvi tentar o BEDA (Blog Every Day August/April). Se você não sabe o que é essa sigla, calma: tudo começou no YouTube com a tag VEDA, para incentivar os produtores de conteúdo corajosos loucos a publicarem vídeos todos os dias durante um mês e tentarem não morrer no meio do processo. Logo já tinha gente adotando a prática em blogs – que, convenhamos, não dá tanto trabalho quando gravar/editar/publicar vídeos – e pronto, fim da introdução.

Confesso que não tenho muita paciência para vlogs, mas sempre gostei de acompanhar os projetos do BEDA em outros blogs (mesmo quando eles desistem no meio do caminho!). Então chegou agosto e aqui estou eu. 

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Talvez estar do outro lado do planeta tenha feito mal pra minha cabeça, talvez esteja me sentindo sozinha, talvez só queira retomar uma das coisas que mais gosto de fazer na vida: escrever. Queria reforçar o verbo tentar ali, escancarado logo na primeira frase que é assim, para vocês não se empolgarem, porque nem eu mesma boto muita fé nessa história de tirar a resolução “dessa vez vou postar mais no blog” do papel.

Já admito que comecei a brincadeira ‘roubando’, porque aqui na Nova Zelândia já é quase fim do dia primeiro – em minha defesa, decidi entrar para essa loucura coletiva há cerca de 40min e… são 23h aqui –, o que denuncia que não programei nada específico para nenhum dia e sigo com a filosofia #deusnocomando. Tudo totalmente aleatório e desorganizado, nada de novo sob o sol.

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A única coisa que de fato pensei foi fazer um resuminho da semana aos domingos, mas também não garanto nada. Gosto desse tipo de post pessoal estilo ‘mini-diário’, com o que vi/li/ouvi e as coisas que aconteceram, e já venho ensaiando um tempo para testar aqui. Também não vou ter capacidade física de conciliar a vida adulta, colaborações em blogs, a volta da newsletter (que sobrevive, com ajuda de aparelhos, depois apenas duas edições e já fica como uma dica para o BEDA).

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Porém, como tudo aqui, vai ser feito com muito carinho (e, às vezes, sem revisão). Happy Hunger Games BEDA! (Esse é aquele momento em que você percebe onde acabou de se meter e começa a rir de nervoso, sabe?)

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