Categoria "Longe é um lugar"

Turistando: Mount Eden

Em 02.08.2016   Arquivado em Longe é um lugar

A Nova Zelândia é conhecida pelas paisagens de tirar o fôlego que ficam ótimas em fundos de tela e cartões postais, mas Auckland, onde estamos morando, tem clima de cidade grande e não é bem assim. Sem contar que incorporar o turista por aqui não sai barato: para subir na SkyTower – símbolo máximo da cidade –, são 28 dólares. Para entrar no Auckland War Memorial, o museu da cidade, mais 25 dólares.

Enquanto a vida ainda não se ajeita 100% e a gente aperta um pouco o orçamento (o custo de vida, como um todo, é bem alto), o jeito é buscar passeios gratuitos.  Mas, ainda sim, tem boas surpresas por aqui: o Mount Eden é um vulcão adormecido que fica em plena área urbana, sendo utilizado pela população como um parque.

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Também conhecido pelo nome Maungawhau, em maori, é o ponto natural mais alto da cidade (e o maior dos vulcões da região). São 196 metros de altura, com uma vista de 360º das redondezas. Muita gente vai lá por motivos turísticos, mas tem bastante gente que vai correr, andar de bicicleta ou leva animais de estimação.

São vários caminhos até o cume e os carros só vão até certo ponto, mas a subida é bem tranquila e a caminha dura uns 15 minutos até o topo. Lá tem uns banquinhos e um espaço pra observar a região, além de um disco com a distância para outros locais do país e até cidades famosas.

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Eu nunca tinha visto um vulcão de perto e é bem interessante porque parece só um buraco mesmo, totalmente coberto por grama, já que está inativo há tantos anos – são 28 mil anos desde a erupção, segundo a Wikipédia. A cratera em si em cerca de 50 metros, mas seu acesso é limitado por motivos de preservação e solo instável (apesar disso, a gente viu umas criancinhas descendo no maior estilo fuck the rules).

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Além do mais, a vista da cidade é bem bonita. Quando fomos, tinha um senhor explicando para outro onde ficava cada coisa, apontando para a região do aeroporto, a baía da cidade etc. Foi tão interessante que fiquei ouvindo a conversa alheia mesmo, confesso.

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Infelizmente o clima aqui é muito doido e o céu muda a cada três minutos, então tem umas fotos com céu azul e outras totalmente nubladas. Pegamos bastante vento e até chuva por lá, mas meio que a gente já está se conformando com esse clima doido do inverno na ilha.

Além de tirar fotos, aproveitamos para meditar e fazer um pseudo piquenique (que foram só sanduíches e água mesmo), passamos um pouco de frio com o vento e voltamos.

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Na descida a gente encontrou esse doguinho fofo que fez pose para a foto! Muita gente leva os cachorros pra passear no vulcão e esse em especial estava todo saltitante e correndo por aí.

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Primeiras impressões da Nova Zelândia

Em 30.06.2016   Arquivado em Longe é um lugar

Oi, esse post veio direto do futuro! :) [Nota irrelevante: nunca vou ter maturidade para lidar com o fato de estar 15h a frente do Brasil no fuso horário e acho farei essa piadinha tosca com mensagens do futuro sempre que tiver oportunidade, desculpa.]

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Faz uma semana que chegamos em Auckland e, desde então, muita coisa aconteceu! Ao mesmo tempo, a sensação é que tudo ainda está indo devagar, como se a vida ainda não tivesse assentado. Chegamos na manhã do dia 23, depois da noite mais longa da minha vida – foram 20h de escuro, lua, estrelas e nuvens, com uma pequena pausa para um alfajor na Argentina – e, até agora, estamos hospedados num quarto em Ponsonby, um bairro ~descolado~ da cidade e cheio de cafés, lojas que me lembram a Vila Madalena e muitas casas bonitinhas.

• É muito muito legal estar em um local com grande influência asiática. Comida japonesa barata (isso é demais!), propagandas de remédio em ideogramas chineses, mercadinhos e incontáveis restaurantes asiáticos convivem ao lado de crianças loirinhas de bochechas rosadas e casas de madeira que parecem ter saído diretamente da Europa.

• O guarda-chuva vira e você é arrastado pelo vento como nos filmes. Claro que isso acontece no Brasil também, mas aqui o inverno é úmido e chove/venta bastante. Quando digo bastante é bastante mesmo, daqueles ventos que de repente mudam o sentido da chuva por instantes suficientes para te molhar por inteiro. O Rodrigo já teve o pé encharcado por uma onda de água que vinha descendo a ladeira e eu já tive o guarda-chuva virado mais vezes em um dia que em toda minha vida até então.

• Prefiro pãozinho francês. Até agora, achamos as padarias daqui bem sem graça, tudo tem cara de meio murcho e sem graça. Pode ser que a gente ainda descubra lugares gostosos, mas nenhum pão fez meu coração bater mais forte ainda (e olha que a gente ama pão).

• Todo mundo acha que o Brasil é violento demais. E, na verdade, é. A gente que se acostuma com as mortes nos jornais, com a truculência e abusos da polícia, os absurdos da desigualdade e outras tantas coisas que não deveríamos nos acostumar. Porém, é surreal a ideia que eles tem de que nosso país as pessoas são baleadas à queima-roupa no meio da rua, assim, enquanto você casualmente caminha pela rua o tempo todo.

• Carpete é quase indispensável na decoração. Todos, todos, todos os apartamentos que visitamos para alugar tinham carpete e muitos estabelecimentos comerciais também. Ou os neozelandeses não tem rinite ou tem gostos duvidosos para decoração (mas o Rodrigo, friorento que é, não desaprovou totalmente a ideia).

• Apesar de chover muito, não tem “recipientes porta guarda-chuva” no comércio. Sempre me vejo olhando como tonta em busca de algum vaso, lata ou qualquer outra coisa própria para guardar o guarda-chuva e não molhar tudo em volta mas, no geral, acabo encostando num cantinho mesmo e ¯\_(?)_/¯

• Falar em inglês é mais difícil do que parece. A ficha de que eu só ia me comunicar em inglês com o meu entorno só caiu quando entramos no voo Buenos Aires – Nova Zelândia e um australiano sentou do nosso lado, puxando assunto e sendo super simpático e eu só fiquei ali, que nem tonta acenando enquanto o Rodrigo socializava. A timidez e a introversão amplificam tudo e, na maior parte dos momentos, me pego paralisada enquanto sei exatamente o que/como falar.

• O coração aperta com mais facilidade. É verdade que tudo tem sido bem tranquilo porque tenho o Rodrigo ao meu lado, com toda aquela sensação de segurança e aconchego que proporcionamos um ao outro. Mas, ainda sim, às vezes dá vontade de dar uma choradinha. Seja pela saudades do Pudim, de pular na cama da minha irmã, dos amigos ou simplesmente com medo do que vai acontecer, “e se as coisas não derem certo?”, “será que a gente tá fazendo a coisa certa?”. O jeito é respirar fundo, pensar no que já deu certo e seguir em frente.

il_fullxfull.825430136_foowAté agora a gente não turistou muito, pois o foco era (ainda é, na verdade) ajustar a vida às engrenagens da cidade e resolver pendências básicas, mas já fizemos um grande avanço nessa primeira semana e quase podemos nos considerar cidadãos: temos números de celular, conta no banco e até cartão de transporte público.

Também não fotografei direito (quase nada, né) porque o clima anda chuvoso demais. A coitada da câmera até sai de casa, mas continua o passeio na mala porque a gente tá sempre indo ao supermercado, indo almoçar ou qualquer coisinha trivial e, no meio disso, ainda chove. Nas poucas vezes que bati umas 3 fotos logo começou a pingar do céu. Pra compensar, tenho feito um caderno de viagem com algumas impressões, bilhetes, desenhinhos e outras coisas como forma de registrar nossa experiência aqui.

Logo menos teremos nosso próprio canto (o apartamento já foi alugado e pegaremos as chaves segunda, dia 04) e a tendência é que tudo continue se ajeitando. Isso foi só um pouco do que já aprendi e vivi por aqui, tem muito mais por vir!

Oi! Tchau, vou para a Nova Zelândia!

Em 27.05.2016   Arquivado em Longe é um lugar

Pode parecer uma notícia meio chocante se levarmos em conta o tempo que me resta aqui no país, mas daqui menos de um mês embarco para a Nova Zelândia. O QUÊ?! Como assim??? É, sendo assim ué.

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Não que fosse um segredo, eu só… Não contei. Claro que meus pais, amigos mais próximos e outras poucas pessoas sabiam desde o início sobre a ideia de ir para o outro lado do mundo. Só evitei compartilhar nas redes sociais e em qualquer conversa despretensiosa, por medo dos planos desandarem (sou do tipo de pessoa supersticiosa o suficiente para acreditar em mau-agouro, me deixem). Mas agora estamos perto demais da data da viagem para evitar.

nz_02Pois é, vou repetir a informação para ver se agora cai a sua ficha: vou morar na Nova Zelândia. Não é um intercâmbio para estudar inglês, não é coisinha de um mês (pelo menos é o que a gente espera!) e nem brincadeira. Dia 21 de junho vou para Auckland, a maior cidade do país.

Sempre quis ter a experiência de morar fora do país, conhecer outra cultura, ampliar minhas vivências e ser mais independente. Mas também sempre tive medo de viver. Sei que, na prática, esse é um medo genérico e estúpido, mas meu comportamento padrão é me fechar para novas oportunidades, já prevendo seu fracasso e, assim, minimizando as decepções. O que não lá muito efetivo já que, bem, a dúvida sobre ‘como seria ter vivido tal coisa?’ me corrói um pouco. Tenho pra mim que isso tudo só está dando certo porque eu e o Rodrigo vamos juntos. Mais do que isso, porque estamos juntos. Pro que der e vier.

Sei que não vai ser fácil e que estamos indo com várias incertezas na bagagem, mas confio na gente e na nossa resiliência. Existe um grande ponto de interrogação na minha cara quando me perguntam quanto tempo passaremos lá, os desdobramentos dos nossos planos etc. Mas o coração tá tranquilo, com a certeza de que tomamos a decisão certa.

Esse post é só para compartilhar um pouquinho da minha vida e reforçar que, se alguém quiser me dar um abraço e desejar “boa sorte na vida e tal e coisa”, a hora é a agora. Tudo anda bem corrido e, cada vez que abro minha planilha de pendências pré-viagem, parece que os itens se multiplicam. É consulta médica para ir, coisa para comprar, hospedagem para reservar, bicicleta para vender… Uma porção de coisas e o relógio não dá trégua.

Uma coisa eu prometo: várias fotos lindas! (nem precisa ser fotógrafo profissional com aquelas paisagens, né?)

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